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BPM - esta sigla é uma mistura de teorias,
metodologias e tecnologias, dentro de um caldeirão
de sopa que tem o gosto do “mercado”
(afinal para que serve o marketing da mais
poderosa indústria de marketing do
mundo?), e vem ganhando cada vez mais espaço
nos meios especializados. Por isso, mais cedo
ou mais tarde, você vai se deparar com
ela, se é que isso já não
aconteceu. |
BPM, ou Business Process Management, está
diretamente associada a processos de negócio.
A idéia que vem ao longo dos tempos
embasando o desenvolvimento de uma serie de
softwares que atendem pela sigla BPM é
a de automatizar e controlar processos visando
retirar do trabalhador a responsabilidade
por tarefas repetitivas, desmotivantes e estressantes,
transferindo-as para várias Tecnologias
da Informação.
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Pois bem, a sigla tem sido difundida como sendo
uma nova idéia transformada em software,
principalmente pelos fabricantes de tecnologias
emergentes, embora, a meu ver, muitas destas idéias
não possam ser chamadas de novas, mas de
idéias que foram reaproveitadas de outras
tecnologias. Em outras palavras BPM é mais
uma daquelas jogadas da indústria de software
para revitalizar produtos que ainda não “decolaram”
nas vendas. É o que poderíamos chamar
de upgrade, elevação do nível
de posição e de qualidade (não
necessariamente as duas coisas juntas), do software
conhecido como Workflow.
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Fazendo uso de uma analogia culinária, BPM
está para Workflow assim como uma comida sem
sal está para outra com saber fantástico.
Isto é, o cliente diz: “esta comida está
sem sal” e o cozinheiro passa-lhe o saleiro,
para que ele se sirva, só que o cliente pode
salgar e estragar de vez a comida. Em outras palavras
puseram mais tempero no Workflow e chamaram o “novo
prato” de BPM. |
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Quem gosta de inventar este tipo de coisa é
o marketing americano, como demonstra o que vem ocorrendo
com as organizações eletrônicas
que tratam do tema. No início do Workflow,
só existia um organismo internacional, chamado
WfMC , que cuidava da padronização e
do desenvolvimento do modelo conceitual do software
Workflow. Entretanto, hoje, com a “onda”
do BPM foram criados vários outros organismos
(todos americanos ) para, pretensamente, “cuidarem”
de um modelo de BPM que a rigor não existe.
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sabe por que não existe? Porque
BPM é em essência Workflow!
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Não quero que pensem que sou contra esta ou aquela
indústria ou setor; este ou aquele povo, mas
o que vem acontecendo neste segmento de software é
sintomático da pouca utilização
do Workflow por parte das organizações.
Por isso, foi preciso fazer o que os especialistas chamam
de revitalização do conceito Workflow.
A meu ver, desnecessária. |
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Um
dos aceleradores das pretensas transformações
que o Workflow vem sofrendo para se transformar em
BPM foi a criação da lei americana conhecida
por Sarbanes-Oxley (SOx), aprovada pelo congresso
dos Estados Unidos para garantir que os fatos e os
problemas ocorridos com empresas como a Xerox, a Enron,
a WorldCom, a Vivendi e a Royal Ahold, entre outras
viessem a se repetir. A SOx, como é popularmente
conhecida, foi criada para restabelecer a confiança
do investidor na contabilidade, e nos registros gerados
por ela, das empresas com as quais ele, investidor,
mantêm relações de investimento. |
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Basicamente
a SOx é um conjunto de regras muito rígidas
para o gerenciamento dos registros de transações,
Record Management, e para a documentação
dos processos de negócio de empresas que tenham
ações negociadas em bolsa, como forma
de garantir que os investidores não sejam surpreendidos
com falcatruas cometidas pelos executivos que governam
tais empresas. Embora muitas das determinações
da SOx digam respeito às empresas de capital
aberto, as de capital “fechado” também
passam a ser brigadas a respeitá-las. Por exemplo:
empresas de capital fechado que negociem com empresas
de capital aberto se acham igualmente obrigadas às
regras de governança corporativa, como forma
de garantir a transparência nos negócios
realizados entre elas. Daí porque os fabricantes
de Workflow apressaram-se a “vender” o
conceito de BPM como “A” solução
para integrar os processos, as tecnologias e os atores
existentes nestes relacionamentos, mantendo registros
que servirão para a rastreabilidade e conseqüente
auditoria dos negócios realizados por elas
e entre eles. Nada que o “bom e velho”
Workflow já não conseguisse fazer. |
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(1)
WfMC, Workflow Management Coalition.
(2) BPMI, Business Process Management Institute; e-Workflow;
WARIA, entre muitos outros.
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