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Gestão de Alta Performance
 

18 de abril de 2005
 
 
 
 
Artigo: BPM, apenas um novo nome para Workflow?
Por Tadeu Cruz

 
BPM - esta sigla é uma mistura de teorias, metodologias e tecnologias, dentro de um caldeirão de sopa que tem o gosto do “mercado” (afinal para que serve o marketing da mais poderosa indústria de marketing do mundo?), e vem ganhando cada vez mais espaço nos meios especializados. Por isso, mais cedo ou mais tarde, você vai se deparar com ela, se é que isso já não aconteceu.

BPM, ou Business Process Management, está diretamente associada a processos de negócio. A idéia que vem ao longo dos tempos embasando o desenvolvimento de uma serie de softwares que atendem pela sigla BPM é a de automatizar e controlar processos visando retirar do trabalhador a responsabilidade por tarefas repetitivas, desmotivantes e estressantes, transferindo-as para várias Tecnologias da Informação.

Pois bem, a sigla tem sido difundida como sendo uma nova idéia transformada em software, principalmente pelos fabricantes de tecnologias emergentes, embora, a meu ver, muitas destas idéias não possam ser chamadas de novas, mas de idéias que foram reaproveitadas de outras tecnologias. Em outras palavras BPM é mais uma daquelas jogadas da indústria de software para revitalizar produtos que ainda não “decolaram” nas vendas. É o que poderíamos chamar de upgrade, elevação do nível de posição e de qualidade (não necessariamente as duas coisas juntas), do software conhecido como Workflow.

Fazendo uso de uma analogia culinária, BPM está para Workflow assim como uma comida sem sal está para outra com saber fantástico. Isto é, o cliente diz: “esta comida está sem sal” e o cozinheiro passa-lhe o saleiro, para que ele se sirva, só que o cliente pode salgar e estragar de vez a comida. Em outras palavras puseram mais tempero no Workflow e chamaram o “novo prato” de BPM.

Quem gosta de inventar este tipo de coisa é o marketing americano, como demonstra o que vem ocorrendo com as organizações eletrônicas que tratam do tema. No início do Workflow, só existia um organismo internacional, chamado WfMC , que cuidava da padronização e do desenvolvimento do modelo conceitual do software Workflow. Entretanto, hoje, com a “onda” do BPM foram criados vários outros organismos (todos americanos ) para, pretensamente, “cuidarem” de um modelo de BPM que a rigor não existe.

E sabe por que não existe?

Porque BPM é em essência Workflow!

Não quero que pensem que sou contra esta ou aquela indústria ou setor; este ou aquele povo, mas o que vem acontecendo neste segmento de software é sintomático da pouca utilização do Workflow por parte das organizações. Por isso, foi preciso fazer o que os especialistas chamam de revitalização do conceito Workflow. A meu ver, desnecessária.
Um dos aceleradores das pretensas transformações que o Workflow vem sofrendo para se transformar em BPM foi a criação da lei americana conhecida por Sarbanes-Oxley (SOx), aprovada pelo congresso dos Estados Unidos para garantir que os fatos e os problemas ocorridos com empresas como a Xerox, a Enron, a WorldCom, a Vivendi e a Royal Ahold, entre outras viessem a se repetir. A SOx, como é popularmente conhecida, foi criada para restabelecer a confiança do investidor na contabilidade, e nos registros gerados por ela, das empresas com as quais ele, investidor, mantêm relações de investimento.
Basicamente a SOx é um conjunto de regras muito rígidas para o gerenciamento dos registros de transações, Record Management, e para a documentação dos processos de negócio de empresas que tenham ações negociadas em bolsa, como forma de garantir que os investidores não sejam surpreendidos com falcatruas cometidas pelos executivos que governam tais empresas. Embora muitas das determinações da SOx digam respeito às empresas de capital aberto, as de capital “fechado” também passam a ser brigadas a respeitá-las. Por exemplo: empresas de capital fechado que negociem com empresas de capital aberto se acham igualmente obrigadas às regras de governança corporativa, como forma de garantir a transparência nos negócios realizados entre elas. Daí porque os fabricantes de Workflow apressaram-se a “vender” o conceito de BPM como “A” solução para integrar os processos, as tecnologias e os atores existentes nestes relacionamentos, mantendo registros que servirão para a rastreabilidade e conseqüente auditoria dos negócios realizados por elas e entre eles. Nada que o “bom e velho” Workflow já não conseguisse fazer.
 
(1) WfMC, Workflow Management Coalition.
(2) BPMI, Business Process Management Institute; e-Workflow; WARIA, entre muitos outros.

 
 
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