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Dizem que tudo na vida é questão
de tempo e geografia. Costumes e posturas
são alteradas com o tempo, e o que
era certo ontem, hoje pode ser uma aberração.
Também a depender do nosso ponto de
observação, podemos sempre mudar
de opinião.
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É como dizia o "maluco beleza"
Raul Seixas "o ponto de vista é
o ponto da questão, e é bem
melhor sermos uma metamorfose ambulante
do que ter aquela velha opinião formada
sobre tudo".
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No
mundo corporativo, uma distancia de 50 cm pode
fazer uma enorme diferença, ou seja , o
lugar da mesa de trabalho que você se senta.
De um lado fica a turma que tem cargo importante,
com seus vistosos sobrenomes organizacionais.
Na outra ponta, prestadores de serviços,
consultores, vendedores, enfim, emprEUsas, que
compõem o mercado de ofertas. Pessoas que
procuram se valer da sua empregabilidade para
conseguir trabalho, em um mundo cada vez mais
sem empregos.
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Para
os que têm sobrenome corporativo, vale a proporcionalidade,
quanto mais importante a Organização,
mais o sobrenome tem valor, virando uma poderosa
grife para quem usa, que acaba gozando de mil privilégios
e vira um "figurão". Para estes,
alguns conselhos. Primeiro entender que tudo é
transitório e é preciso se preparar
para mudanças. Se tornar visível ao
mercado e construir um patrimônio de imagem,
pois de nada adianta ser um "manda chuva"
na empresa, se fora dos muros se é um Zé
desconhecido. Acredite, o seu futuro empregador
sempre está fora da organização.
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Outra dica de ouro. Trate com distinção
e sem esnobismo, o mercado, ou seja, aquelas pessoas
que estão do outro lado da mesa. A gente nunca
sabe quando a dança das cadeiras vai começar
e o mercado sempre tende a ser mais generoso, com
os que, ao mudar de lado, têm um histórico
de bem tratar.
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Estes precisam ainda entender que boa parte de seu
poder vem da organização, não
se iludindo com o "canto das sereias". Um
exemplo simples de aprendizado é o barbeiro,
quando ele muda de salão, sempre leva os clientes,
mostrando quem tem poder pessoal.
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Na minha carreira profissional, vi muitas trocas de
posição. Uma das áreas que mais
sofre é a turma do RH. Ás vezes é
duro, depois de tanto tempo lidando com o poder de
oferecer um produto precioso, que é o emprego,
estar em busca dele. Também quanto maior apego
ao cargo, maior o sofrimento.
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Estive nas duas posições. No aquário
e no mar. Ao pertencer durante muitos anos ao staff
de uma importante organização, pude
exercer o poder da marca, experimentar o "ouro
de tolo", ser paparicado, protegido, viver o
mundo dos benefícios e do salário certo
no final do mês. Depois, resolvi enfrentar o
mar aberto, um mundo de muitos riscos e sustos, mas
também e até por isto, de infinitas
possibilidades e aprendizado.
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Pude ainda distinguir os meus amigos, dos "amigos"
do meu cargo, aqueles que vão sempre de herança
para o nosso sucessor.
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Por isso que digo, que para exercer nosso ofício,
é preciso muito talento e dedicação,
mas também ser humilde e interagir com muita
empatia, às vezes até com compaixão.
Afinal, se tudo na vida é tão passageiro,
o que dizer de um simples lugar em um balcão. |
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Victoriano Garrido Filho
Administrador, pós-graduado em psicologia
com especialização em Recursos Humanos
pela Universidade Estadual de Nova York (EUA). Diretor
da ABRH-BA e da ADVB-BA, Professor de Programas
de Pós-Graduação e Extensão
da UFBA, UNEB, Ruy Barbosa, UNIFACS, FTE, entre
outras.
vgarrido@terra.com.br
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