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O ambiente interno das organizações
vem passando por mudanças estruturais
do ponto de vista comportamental, tecnológico
e, principalmente, mercadológico. A
revolução ocorrida nos anos
90, que direcionou os esforços para
a percepção do cliente, provocou
a necessidade de uma guinada na forma de pensar
a estrutura interna de funcionamento dos negócios.
O foco no cliente faz com que cada pessoa
que atua na organização deixe
de pensar de forma funcional (o que eu faço?)
e passe a se ver como o elo de uma cadeia
que liga o fornecedor ao cliente (como e para
quem eu faço?). O problema é
que a organização montada pela
ótica tradicional não se percebe
desta maneira e continua orientada para um
modelo hierárquico, desenvolvido sob
a ótica dos “departamentos”.
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O esforço intenso pela implantação
de sistemas de controle, garantia e gestão
da qualidade vem adquirindo um papel importante
na mudança de condicionamentos por parte
dos líderes, para que estes percebam a
necessidade de rever totalmente o seu modelo de
gestão, orientando-o para os processos
de negócios com o foco no cliente. Os programas
de qualidade total, certificações
ISO 9000 e outros modelos não tiveram ainda
êxitos expressivos na consolidação
deste processo, pelo fato dos condicionamentos
para a estruturação a partir da
hierarquia e dos modelos de gerenciamento por
células geográficas terem suas bases
nos primórdios do pensamento da corporação,
quando eram de alto grau de dificuldade: a comunicação,
a logística, a gestão de registros,
entre outros, que estão totalmente resolvidos
no nosso novo modelo tecnológico. A organização
não necessita ser pensada do ponto de vista
da geografia, e sim de uma forma que possa otimizar
os recursos tecnológicos já alcançados.
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A revolução
do cliente não acontece de forma isolada no
ambiente dos negócios, o mundo vive hoje um
novo modelo orientador das relações:
“a competitividade”. As corporações,
assim como qualquer outro tipo de organização,
a igreja, a escola, o partido político, a família
e o próprio governo, necessitam repensar o
seu modelo de gestão a partir da sua capacidade
de competir. Para isto, faz-se necessário a
implantação de modelos que possam definir
claramente ferramentas de planejamento, execução,
checagem e ação de correção.
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Outro aspecto importante a ser ressaltado é
que o aprimoramento da tecnologia possibilitou a utilização
das máquinas nos processos produtivos de maneira
cada vez mais inteligente. O conceito processual chegou
também à forma de desenvolver os programas
de computador, que estão sendo criados para
permitir o fluxo de processos e não mais a
abordagem meramente funcional estática, que
impedia a sua utilização em modelos
de fluxos de atividades em seqüência, potencializando,
desta forma, o uso das máquinas nas relações
de produção.
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Para uma organização
implantar o modelo de gestão por processos,
se faz necessária à utilização
de uma estrutura para montar um sistema de
controle capaz de assegurar os resultados
pretendidos, conforme a seguir:
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| a) |
Definição de posicionamento estratégico
que possa deixar bem claro para a organização
qual é o seu negócio e o horizonte
pretendido em relação a ele, e
os parâmetros para o monitoramento da
eficácia e eficiência do modelo. |
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| b) |
Definição dos processos de negócio
e o seu vínculo à estrutura
de tecnologia da informação,
para que os processos possam ser automatizados,
diminuído a dependência do erro
humano. |
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| c) |
Definição da competência
das pessoas envolvidas na realização
de cada regra de negócio, mapeada a
partir do gerenciamento por processos. A alocação
de recursos humanos deve ser feita rigorosamente
com base no perfil de competência. |
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| d) |
Definição
de modelo de responsabilidade e autoridade
focado nas atividades previstas nos modelos
de negócio e não mais em unidades
gerenciais focadas em autoridade e localização
geográfica. |
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| e) |
Definição
de um modelo de documentos para servir de
estrutura normativa de institucionalização
das regras e servir à gestão
do conhecimento. |
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| f) |
Definição do modelo de monitoramento
dos resultados a partir da estrutura de negócios
e não mais focada em unidades gerenciais. |
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A
implementação da gestão por processo
deverá provocar um desconforto muito grande
nos gerentes tradicionais, focados inteiramente no
modelo departamental, uma vez que pode parecer que
a visão por processos retira a autoridade dos
“chefes”. Ao contrário do que foi
pregado inicialmente na reengenharia, o modelo de
gestão do processo valoriza intensamente o
líder, pois é ele quem monitora o desempenho
do processo e atua na correção em relação
ao que foi planejado. Ou seja, coloca o gerente na
posição realmente de gestor de estratégias
e recursos. |
As dificuldades na implantação deste
novo modelo de gestão devem ser vistas não
como instransponíveis para o sucesso do empreendimento,
mas com a ótica de que a mudança pretendida
prepara as pessoas e as organizações
para competir em um mundo onde as regras estão
diferentes, onde sobreviver dependerá da competência
de atingir resultados focados no atendimento de necessidades
de outros. Este talvez seja o maior legado da gestão
por processos; “o aprimoramento das formas de
melhor atender ao próximo.” |
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*“Albano
Falcao Moura é administrador de empresas (UNIFACS).
Atua em projetos de consultoria de gestão da
qualidade, meio ambiente e saúde e segurança,
tendo participado de mais de 80 certificações
ISO 9000. É diretor da Albano Falcao Moura
Consultoria e Treinamento Ltda.” |
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